A endarterectomia de carótida é um procedimento cirúrgico que consiste na remoção da placa de aterosclerose que está bloqueando a artéria, restaurando assim o fluxo sanguíneo. As artérias carótidas levam sangue ao cérebro. Ficam localizadas no pescoço e estendem-se desde a aorta até a base do crânio.

As paredes das artérias normalmente são lisas e elásticas. Com o passar dos anos (envelhecimento), elas sofrem um processo de endurecimento e reação inflamatória crônica (aterosclerose). A placa que se forma na aterosclerose é composta de substâncias como colesterol, cálcio e tecido fibroso, que vão se acumulando nas paredes das artérias. Quanto mais placa se acumula nas artérias, mais endurecidos ficam os vasos e mais prejudicado fica o fluxo sanguíneo.

A doença arterial carotídea, ou acúmulo de placa nas artérias carótidas, reduz o fluxo sanguíneo nas artérias carótidas e pode causar acidentes vasculares cerebrais (AVC), também conhecidos como derrames ou isquemia cerebral. Em casos mais graves, depósitos de placa se desprendem e chegam ao cérebro através do fluxo sanguíneo, podendo causar danos irreversíveis e até a morte, dependendo do tamanho da área afetada. Em casos menos graves, pode ocorrer um ataque isquêmico transitório, condição que funciona como um alerta para a ocorrência de um derrame em um futuro próximo.

O tratamento da doença carotídea é realizado para prevenir a ocorrência de um derrame (AVC).

A endarterectomia de carótida é um tratamento cirúrgico que consiste na remoção da placa de aterosclerose e é o método terapêutico de primeira escolha na atualidade. É indicado para pacientes com doença arterial carotídea severa, porém em bom estado de saúde geral, especialmente aqueles que já sofreram um ou mais ataques isquêmicos transitórios.

Por outro lado, pacientes com história de derrame grave ou ataque cardíaco, câncer com expectativa de vida inferior a 2 anos, pressão alta não controlada, insuficiência renal, angina, insuficiência cardíaca congestiva ou sinais de distúrbios neurológicos, como doença de Alzheimer, apresentam maiores riscos de complicações com o procedimento cirúrgico.

Preparação

Primeiramente, o cirurgião solicitará a realização de uma ecografia vascular com Doppler para determinar o grau de comprometimento das artérias carótidas. O exame é indolor e permite visualizar a estrutura dos vasos sanguíneos, verificar a velocidade do fluxo de sangue e determinar a localização e a extensão da placa. Além da ecografia vascular com doppler, o cirurgião também poderá solicitar uma angiotomografia computadorizada para obter informações precisas da estrutura das artérias.

Ecografia vascular com doppler

Atualmente, a angiorressonância magnética e a angiografia são menos solicitadas para o estudo e planejamento do tratamento da doença carotídea.

Antes do procedimento, o cirurgião dará ao paciente instruções específicas conforme o caso, como, por exemplo, a necessidade de suspender ou manter medicamentos e o tipo de jejum ou preparação que o paciente deve fazer.

Descrição do procedimento

A endarterectomia pode ser realizada sob anestesia geral ou local. O tipo de anestesia depende da experiência da equipe e da preferência do cirurgião. Antes da incisão, feita no pescoço, a área é higienizada e quaisquer pelos são raspados, para reduzir o risco de infecção. A incisão expõe a artéria carótida comprometida; a seguir, esta é temporariamente pinçada para interromper o fluxo sanguíneo; nesse momento, o cérebro recebe sangue através da artéria carótida contralateral. Então, o cirurgião faz uma incisão diretamente na área afetada e remove o revestimento interno da parede arterial, juntamente com a placa de aterosclerose. Quando a doença carotídea é bilateral ou o fluxo da carótida contralateral é insuficiente para manter a perfusão do cérebro, é utilizado um dispositivo tubular (shunt de carótida), que desvia o fluxo em torno da área que está sendo tratada.

Em seguida, a artéria é suturada, o fluxo é liberado e eventuais sangramentos são controlados. Geralmente, um remendo (patch de carótida) é utilizado durante a endarterectomia para alargar a artéria carótida afetada. O remendo pode ser feito de material sintético, ou pode ser utilizada parte de outra veia do próprio paciente, normalmente uma veia da perna.

Esse procedimento leva cerca de 2 horas, dependendo das condições anestésicas e do tempo de preparação do paciente. A incisão feita no pescoço é pequena e pouco comprometedora do ponto de vista estético.

Pós-operatório

O paciente submetido à endarterectomia de carótida fica hospitalizado por 1 a 2 dias, para monitorar o resultado da cirurgia e a ocorrência de complicações. Logo após o procedimento, o paciente recebe fluidos e nutrientes através de um cateter endovenoso. A dor pós-operatória não é significativa, porque a incisão feita no pescoço é pequena.

Ao receber alta, o paciente deverá seguir algumas instruções, como por exemplo, não dirigir nem fazer exercícios físicos por algumas semanas. Qualquer sintoma observado após a alta, como alterações das funções cerebrais, dores de cabeça ou inchaço no pescoço, deve ser informado ao médico imediatamente.

A longo prazo, mudanças de estilo de vida são fundamentais para evitar que depósitos de placa voltem a se formar. Alguns exemplos incluem: manter uma dieta com baixos níveis de gordura saturada, colesterol e calorias, fazer exercícios aeróbicos regularmente, manter o peso ideal, evitar o fumo e rever regularmente com o médico o uso de medicamentos antiplaquetários e de controle do colesterol.

Complicações

A técnica cirúrgica meticulosa e a experiência da equipe são pontos fundamentais na cirurgia da carótida. No entanto, podem ocorrer complicações. Pacientes com história de derrame têm risco maior de desenvolver complicações, dependendo da severidade do derrame, do tempo decorrido desde o evento e do grau de recuperação. Outros fatores de risco para complicações incluem a presença de doenças cardíacas ou pulmonares graves, presença de placa de aterosclerose na porção alta do pescoço que não pode ser completamente removida através da cirurgia, bloqueio de outros vasos que levam sangue ao cérebro (por exemplo, a artéria carótida contralateral), realização do procedimento pela segunda vez na mesma artéria, diabetes e fumo.

As complicações pós-operatórias incluem o derrame (risco variando entre 1 e 3%) e a recorrência de estreitamento na artéria tratada, chamada de reestenose, especialmente em pacientes que fumam (risco de 2 a 3% de ter que realizar o procedimento novamente). Distúrbios nervosos temporários, que se manifestam como rouquidão, dificuldade de engolir e formigamento na face ou na língua, também podem ocorrer, mas não requerem tratamento e costumam desaparecer até 1 mês após a cirurgia.

 

 

 

 

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