Derrame, acidente vascular cerebral (AVC), isquemia cerebral

A doença arterial carotídea pode causar acidentes vasculares cerebrais (AVCs), também conhecidos como derrames ou isquemia cerebral. Ocorre quando há um estreitamento ou bloqueio das artérias do pescoço, ou artérias carótidas, que levam o sangue da aorta até o cérebro. As chances de desenvolver a doença aumentam com a idade, já que o estreitamento das artérias é bem mais comum em pessoas idosas, especialmente naquelas acima de 75 anos. No entanto, pessoas acima dos 60 anos tem sido diagnosticadas com doença carotídea.

O estreitamento das artérias é resultado do acúmulo de substâncias (colesterol, cálcio e tecido fibroso) no interior das artérias, processo conhecido como aterosclerose. As substâncias acumuladas recebem o nome de placa ou ateroma, e a doença se estabelece quando a placa passa a obstruir total ou parcialmente o fluxo de sangue nas artérias carótidas, podendo levar a um AVC.

Algumas placas de aterosclerose rompem facilmente, formando áreas irregulares dentro da artéria. Quando isso acontece, as áreas irregulares são inundadas por plaquetas, células sanguíneas que têm uma importante participação no processo de coagulação. Nesse processo, derrames ou AVCs podem ocorrer de duas formas: 1) um coágulo pode se formar dentro da artéria carótida, ou de um de seus ramos, e bloquear a artéria, diminuindo ou impedindo o fluxo de sangue e oxigênio para o cérebro; 2) um pedaço da placa ou um coágulo podem se soltar da placa e viajar através do fluxo sanguíneo, alojando-se em uma artéria do cérebro e, da mesma forma, bloqueando o fluxo.

Como prevenir a doença arterial carotídea

Várias medidas podem ser tomadas para evitar a doença:


Parar de fumar (mudança mais importante)


Fazer exercícios regularmente


Manter uma dieta saudável


Manter um peso adequado


Controlar fatores relacionados, como diabetes, pressão arterial e colesterol


Sintomas

A doença arterial carotídea não apresenta sintomas nos estágios iniciais. Muitas vezes, sua primeira manifestação é um derrame. Por outro lado, os sintomas listados a seguir, se observados por um período de alguns minutos até 1 hora, podem servir de alerta para o risco de um tipo específico de AVC, chamado ataque isquêmico transitório:


Sensação de fraqueza, formigamento ou torpor em um lado do corpo, por exemplo um braço ou uma perna


Incapacidade de controlar o movimento de um braço ou uma perna


Perda temporária ou embaralhamento da visão em um olho


Incapacidade de falar claramente



Os sintomas normalmente desaparecem em 24 horas, mas não devem ser ignorados, e sim informados ao médico imediatamente. A ocorrência de um ataque isquêmico transitório representa um alto risco para derrame em um futuro próximo. Em outros casos, quando os sintomas não desaparecem em até 24 horas, provavelmente um derrame já ocorreu. Deve-se buscar assistência médica imediatamente nesses casos.

Causas da doença carotídea

Aterosclerose obstrutiva é a principal causa da doença carotídea. Esta é agravada com o fumo, níveis elevados de colesterol e hipertensão arterial. Portadores de diabetes e/ou história familiar de aterosclerose também apresentam risco significativo de doença carotídea.

Aneurisma da artéria carótida e displasia fibromuscular também são causas menos frequentes de doença carotídea.

Alguns pacientes submetidos à radioterapia na região do pescoço para tratamento de neoplasias podem desenvolver estreitamento das artérias carótidas devido à lesão arterial pela radiação.



Diagnóstico

A primeira etapa do diagnóstico é feita com base em perguntas sobre a saúde geral do paciente, incluindo sua história médica (fumo, pressão arterial, etc.), e sobre a presença de sintomas (quando e com que frequência ocorrem). Além disso, um exame físico é realizado para detectar sons indicativos de um fluxo sanguíneo turbulento nas artérias carótidas (ausculta de sopro carotídeo ao exame clínico com estetoscópio).

Com base no resultado da primeira etapa, o médico poderá indicar uma ecografia vascular com Doppler colorido ou ecodoppler colorido da carótida, teste indolor no qual uma pequena sonda de ultra-som é posicionada junto ao pescoço do paciente. A sonda emite ondas de alta frequência que revelam a velocidade do fluxo sanguíneo nas artérias carótidas e o grau de estreitamento das mesmas. O exame, quando realizado por profissional experiente, é suficiente para estudar a grande maioria dos casos de doença arterial carotídea. Quando ele não fornece informações suficientes, outros exames também podem ser realizados.



Ecografia vascular com Doppler colorido

  • Angiotomografia computadorizada ou angiografia por tomografia computadorizada multi-slice: esse exame produz imagens de raio X sequenciais (em fatias) das artérias do pescoço e do cérebro. Utilizando uma solução de contraste, as imagens podem revelar com precisão áreas de diminuição do fluxo de sangue, o grau de estreitamento das artérias e as características da placa de aterosclerose.

  • Angiorressonância magnética ou angiografia por ressonância magnética: esse exame utiliza ondas de rádio e campos magnéticos para criar imagens detalhadas do movimento do fluxo sanguíneo, ajudando a avaliar o nível da doença arterial. Não é utilizada radiação ionizante, e sim um contraste não-nefrotóxico chamado gadolínio, para melhor visualização da circulação.

Angiografia: uma solução de contraste é injetada nas artérias através de um cateter, e então imagens de raio X são geradas. O exame permite estudar o fluxo sanguíneo no interior das artérias e o grau de estreitamento da luz arterial. A angiografia oferece alguns riscos, motivo pelo qual nem sempre os médicos recorrem a essa modalidade diagnóstica como primeira opção.

Tratamento

O escolha do tratamento da doença arterial carotídea depende da severidade da doença, da presença ou não de sintomas e da saúde geral do paciente. 

O tratamento clínico, com medicações e mudanças no estilo de vida, é recomendado para os casos menos severos ou para aqueles pacientes que não apresentam condição clínica para qualquer outro tipo de tratamento. Problemas de saúde associados, como diabete, pressão alta e colesterol, devem ser controlados conforme as instruções do médico, e o fumo deve ser cessado.

Nos casos que não requerem intervenção cirúrgica, é importante ter certeza de que a família do paciente conhece os sinais de alerta dos ataques isquêmicos transitórios. Seguir rigorosamente as instruções do médico no que diz respeito a medicações (aspirina, estatinas, etc.) também é de fundamental importância. Finalmente, a volta ao consultório para a realização de exames periódicos e também as mudanças no estilo de vida (parar de fumar, perder peso, fazer exercícios regularmente e manter uma dieta saudável) são fundamentais para o controle adequado da doença.

A cirurgia tradicional, denominada endarterectomia, é o tratamento de primeira escolha para a doença carotídea. É indicada para os casos severos – por exemplo, quando há sintomas de ataque isquêmico transitório, história de derrame ou estreitamento significativo da luz de alguma artéria carótida. A cirurgia é feita sob anestesia local ou geral, dependendo da preferência da equipe médica, e consiste na remoção da placa que está bloqueando a artéria, através de uma incisão no pescoço. O procedimento é seguro e duradouro quando realizado por um cirurgião qualificado.

Angioplastia com colocação de stent. Normalmente realizado sob anestesia local, o procedimento consiste na inserção de um cateter em uma artéria da virilha através de uma pequena punção, o qual é guiado pelos vasos sanguíneos até a artéria carótida. Uma solução de contraste é injetada nas artérias para que imagens de raio X ajudem a identificar a localização exata da placa. Um segundo cateter é então inserido, contendo um pequeno balão, que é inflado e desinflado para comprimir a placa contra as paredes arteriais. Em seguida, um pequeno stent (tubo feito de uma malha de metal) é posicionado na artéria para mantê-la aberta.

A angioplastia com colocação de stent é, atualmente, um procedimento controverso devido à maior incidência de complicações transoperatórias (embolias com isquemia cerebral - AVCs) quando comparada com a cirurgia convencional (endarterectomia). No entanto, a técnica é uma boa alternativa para pacientes que apresentam alto risco de complicações para a realização da endarterectomia.

Uma avaliação criteriosa de cada caso em particular é fundamental para a escolha da melhor alternativa de tratamento. O cirurgião vascular e endovascular é o único profissional capaz de realizar as duas formas de tratamento e fazer a opção pela melhor alternativa para cada paciente.

 

 

 

 

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Doença arterial carotídea